Cinco anos depois, acabou

O Blogouve-se faz, por estes dias, cinco anos.

… e há muito que pensava aproveitar os cinco anos do Blogouve-se  para um ‘ponto da situação’; para repensar o trabalho realizado, para encontrar, eventualmente, um sentido para continuar – tudo tem de ter um fim, certo?

A necessidade de, nos próximos três meses, ter de concluir a minha tese de doutoramento (pedi, inclusivamente, uma licença sem vencimento na TSF), iria fazer-me afastar desta realidade nesse período de tempo. Seria inevitável. Poderia voltar a seguir, mas haveria sempre uma paragem.

Confesso que há algum tempo que o blogouve-se deixou de ser apenas um exercício de prazer. Há algum tempo que percebi uma significativa animosidade relativamente a alguns assuntos por mim tratados, animosidade que aceito como inevitável mas que tem um reverso: impede a discussão dos tópicos propostos, na medida em que, poucos comentários depois, já sou o próprio visado (e, pior, a TSF *). Quem anda à chuva molha-se, não é?

Valeu? Sim, valeu. Reclamo para mim, nestes cinco anos (sobretudo nos últimos, na medida em que o próprio blogue evoluiu desde o início), um exigente comportamento ético para com os leitores, e a coragem -perdoem-me a imodéstia – de chamar as coisas pelos nomes, em vez de me limitar a enunciar princípios. Criei, sobretudo entre os meus camaradas, mais animosidade do que simpatia (e isso não é bom, algumas portas fecharam-se certamente), mas sinto – é o mais importante – que não estão reunidas as condições para continuar (todas, incluindo, como expliquei antes, as pessoais). Os últimos textos, nomeadamente o mais recente, são apenas um exemplo evidente disso.

Cinco anos a escrever todos os dias não se extinguem sem uma ponta de emoção. Mas também com um agradecimento, sobretudo aos que me fizeram seguir em frente com este projecto.

* em cinco apanhei três directores diferentes; nenhum deles me criou qualquer problema – ou, sequer, me chamou à atenção – por alguma coisa que tenha sido escrita; é justo dizê-lo.