ACT O silêncio sobre sexta-feira no Dragão interessa a quem?

Sexta-feira os jornalistas destacados para acompanharem a declaração do presidente do FC Porto depois de conhecidos os castigos da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes viveram mais uma situação impensável, indigna e humilhante.

Esperei alguns dias porque pensei que o Sindicato dos Jornalistas iria tomar posição. Infelizmente, o Sindicato continua a dar razão a todos aqueles que dizem que as direcções de Alfredo Maia acentuaram o divórcio entre Sindicato e jornalistas. Jornais como o Record, A Bola e O Jogo, pelo menos, denunciaram o caso publicamente (não podem dizer que não ouviram falar).

Tanto quanto sei, os jornalistas que se deslocaram ao Dragão foram deixados à porta, na rua, misturados com os super-dragões, até alguns minutos antes do início. Ouviram-se insultos e, segundo li, jornalistas da Antena 1 e de O Jogo foram agredidos (a jornalista da Antena 1 terá mesmo ido ao hospital). Houve empurrões, ameaças, correrias. Sexta-feira ao fim da tarde no Dragão. Polícia não havia, o FC Porto nada fez (criando condições para que as coisas acontecessem), o Sindicato nada diz.

O FC Porto é o melhor dentro das quatro linhas, mas fora continua, a este nível, a comportar-se como uma instituição pouco recomendável. Por estar solidário com os meus camaradas, escrevo este texto. E não deixo de censurar a direcção do Sindicato dos Jornalistas pelo silêncio e pela omissão na solidariedade aos seus representados.

ACT  a 14/05: «A Direcção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) exigiu hoje, 14 de Maio, a garantia da segurança dos jornalistas em serviço em recintos desportivos e considerou que o Boavista Futebol Clube e o Futebol Clube do Porto, bem como a Entidade Reguladora para a Comunicação Social devem averiguar as agressões a jornalistas verificadas no dia 9 nos estádios do Bessa e do Dragão, no Porto.» (um comentário meu: o Sindicato reage e mais vale cinco dias depois do que nunca; quanto à substância: são os chamados ’serviços mínimos’ – apela, considera, expressa, devem apurar; não seria possível uma reacção mais enérgica? Por exemplo, em vez de esperar que a ERC ou os clubes façam alguma coisa, não poderia o Sindicato tomar a(s) iniciativa(s)?)